
BB ameaça cortar crédito de produtor em Recuperação Judicial (RJ): o que está por trás, o que muda na prática e como se proteger
Nos últimos dias, uma declaração do Banco do Brasil (BB) acendeu um alerta vermelho no campo: produtores que ingressarem com recuperação judicial (RJ) “não terão crédito, hoje, amanhã e nem nunca mais”, segundo afirmou Felipe Prince, vice-presidente de controles internos e gestão de riscos, em entrevista. O banco alega que já há R$ 5,4 bilhões de empréstimos travados por pedidos de RJ envolvendo 808 produtores. O recado é político, reputacional e de risco de crédito, tudo ao mesmo tempo.
CRÉDITO RURAL
Thalles França
9/30/20253 min read


Por que o BB falou isso agora?
Dois vetores explicam o endurecimento: a escalada recente da inadimplência agro no portfólio do BB, que atingiu níveis recordes em 2025; e a manutenção da liderança do banco no Plano Safra, mesmo sob maior escrutínio de investidores. Ou seja, o banco precisa mostrar disciplina de risco, preservando funding e rating das carteiras.
O que a lei e a jurisprudência dizem sobre RJ de produtor rural?
O STJ consolidou que o produtor rural pode pedir recuperação judicial desde que esteja inscrito na Junta Comercial no momento do pedido, independentemente do tempo de registro, bastando comprovar exercício regular da atividade há mais de 2 anos (art. 48 da Lei 11.101/2005). Esse entendimento pacificou a antiga controvérsia do “prazo de 2 anos de registro”. Em resumo: a porta jurídica para RJ existe, o que não elimina os efeitos bancários e comerciais dessa decisão.
O que muda na prática para quem aperta o botão da RJ?
Mesmo sendo um direito, o custo reputacional explode. A fala pública do BB sinaliza política interna restritiva de crédito para quem judicializa o passivo. Em cadeias altamente dependentes do capital de giro (insumos, custeio, dentre outros), isso pode significar perder a próxima safra por falta de financiamento. O risco: trocar um alívio jurídico de curto prazo por um estrangulamento financeiro de médio prazo e perda de fornecedores.
O cenário do crédito rural ajuda ou atrapalha?
O ciclo 2025/26 do Plano Safra veio volumoso (R$ 516 bi no total do programa; R$ 174,6 bi controlados), e o BB anunciou R$ 230 bi próprios para a temporada, reforçando a dependência do sistema de uma instituição que, ao mesmo tempo, endurece controles. Para o produtor, é um paradoxo: há dinheiro, mas com portas mais estreitas para quem está em RJ.
Há alternativas estratégicas antes da RJ?
Sim. Nossa atuação técnica combina engenharia financeira, crédito rural e legalidade para resolver antes de judicializar. Em geral, recomendamos seguir uma escada de reestruturação:
Diagnóstico de caixa safra a safra (custos, produtividade viável, preço travado, câmbio, base de hedge): qual gap real de capital de giro? Há descompasso de prazo (ex.: dívida longa financiando giro curto)?
Renegociação bilateral e multibanco com plano de viabilidade (cronograma, alongamento, carência, taxas de juros, garantia real e mitigadores).
Instrumentos privados: negociação disciplinada, contratos de entrega futura, trava de preços, CPR com seguro/ PROAGRO (quando elegível) e meta de margem por talhão, não por fazenda inteira.
Governança de riscos: seguro agrícola, diversificação varietal, escalonamento de plantio e gestão de insumos para reduzir volatilidade de caixa.
Quando a RJ entra no radar?
Para casos em que não há adesão dos credores a uma reestruturação razoável e o produtor consegue provar viabilidade econômica pós-plano. Mesmo assim, mede-se o “preço” do estigma financeiro. RJ sem plano de viabilidade ≠ solução; é adiamento caro.
O que a nossa empresa faz de diferente (e por que isso importa agora)
A nossa equipe integra consultoria agronômica + gestão de crédito rural + jurídico especializado, com foco em produtores do RN e Nordeste. Na prática, entregamos:
Plano de Viabilidade Safra x Safra, com cenários (base/otimista/estresse) e projetada por cultura;
Estratégia de crédito: mapeamos as janelas do Plano Safra e recursos livres para o seu perfil produtivo, posicionando o produtor antes do plantio;
Negociação técnica com bancos e fornecedores, falando a linguagem do risco para reabrir portas;
Compliance documental (CAR, CCIR, ITR, CND, contratos, georreferenciamento quando aplicável, licenças, comprovações de renda agro), minimizando “travas de formalização”;
Plano anti-estigma: caso a RJ seja inevitável, cuidamos do pós-pedido para reconstruir a bancabilidade, com métricas e governança que o mercado entende.
Esse modelo reduz judicialização desnecessária e preserva reputação bancária, o maior ativo intangível de quem precisa plantar todos os anos.
Checklist rápido para produtores:
Fluxo de caixa de 12–18 meses: construa seu fluxo de caixa semanalmente/mensalmente a depender da sua atividade produtiva, considerando todas as entradas e saídas financeiras da sua propriedade (linha a linha: insumos, colheita, frete, serviço da dívida, etc).
Dossiê de crédito atualizado: mantenha seus documentos obrigatórios sempre atualizados (impostos, certidões, CAR/CCIR, contratos de arrendamento, histórico produtivo, apólices/PROAGRO, etc).
Guarde comprovantes e notas: Toda e qualquer documentação que influencia no fluxo financeiro da propriedade é importante para a construção estratégica do caixa.
Estratégia comercial: busque proteções adicionais (como hedges, travas e contratos futuros) antes de contratar o crédito, principalmente se for de risco moderado a elevado.
Se qualquer item acima “travar”, fale conosco: transformamos isso em plano negociável com bancos e fornecedores. Converse com nossa equipe e descubra como proteger sua operação e manter sua capacidade de investimento.
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